Workation: Como Trabalhar Remoto e Fazer Férias ao Mesmo Tempo? (Sem Ser Despedido)

Ora bem, isto não é ir 100% de férias, mas sim começar a trabalhar às 6h da manhã e acabar as 15h ou antes e depois tens o resto do dia livre para ir à praia onde é verão, enquanto é inverno em Portugal! E claro que estando num país quente, é sempre bom trabalhar remoto + tirar dias 100% de férias, mas já vamos ver isso.

O Que É Um Workation, Realmente (E o Que Não É)?

Um workation a sério é um equilíbrio calculado: continuas a cumprir o teu horário e as tuas entregas, mas rodeado de um contexto que te dá energia: praia ao fim do dia, cidade nova para explorar ao fim de semana, gente nova para conhecer num coworking. É basicamente dizeres ao teu cérebro “sim, vamos trabalhar, mas vamos fazer isto com estilo.”

Workation vs. Ser Nómada Digital: Não É a Mesma Coisa

Vale a pena esclarecer isto porque há muita confusão nos comentários que recebo. Um nómada digital vive assim, muda de país a cada X meses (algo muito cansativo) e isto é o modo de vida permanente.

Um workation é pontual: são 1 a 6 semanas, geralmente ligadas às tuas férias normais ou a um período mais calmo no trabalho, e depois voltas à tua vida normal! Eu costumava fazer isto em Florianopolis no Brasil, até tenho um vídeo disso no youtube!

Sinais de Que Precisas de Um Workation (Não de Férias Normais)

Já falei sobre burnout no trabalho remoto noutro artigo, e o workation não é a cura para isso… se estás mesmo esgotado, precisas de férias a sério, sem laptop, sem Slack, sem nada. Mas se o que sentes é mais “estou cansado da mesma parede há 10 meses” do que “estou a ponto de explodir”, então workation é exatamente o remédio.

Como Escolher o Destino (Sem Estragares o Trabalho)?

Aqui é onde a maioria das pessoas falha! Então decidi “inventar” 4 critérios:

1. Fuso horário compatível. Se a tua equipa está em Lisboa e tu decides fazer workation em Bali “porque é lindo”, vais ter reuniões às 3 da manhã e vais odiar Bali, a tua equipa e a vida em geral. Fica dentro de ±2/3 horas do teu horário de trabalho habitual — usa o Time Zone Converter da World Time Buddy antes de decidires qualquer coisa, é gratuito e evita-te esta dor de cabeça de forma visual, com os blocos horários lado a lado. Por isso mesmo é que o Brasil é o ideal porque durante o outono-inverno português, a diferença horária é de apenas 3h, por isso começar a trabalhar às 6h = igual a começar às 9h em Portugal continental.

2. Wifi testado, não prometido. O anúncio do Airbnb dizer “wifi rápido” não significa absolutamente nada, já expliquei isto em detalhe no guia do Airbnb para trabalho remoto. Pede sempre ao anfitrião um print do teste de velocidade feito no Fast.com ou no Speedtest.net antes de reservares seja o que for, e presta atenção especial ao upload, não só ao download, porque é isso que te “pode trair” numa videochamada. Por segurança, leva sempre um plano B: uma eSIM local ou internacional (uso a Airalo há anos para isto e tenho lá o meu código de desconto se quiseres experimentar) é o teu paraquedas quando o wifi da casa decide fazer greve a meio de uma apresentação importante.

3. Custo de vida vs. produtividade. Um destino mais barato não vale nada se passares o dia distraído a pensar em quão barata está a cerveja lá fora. Escolhe sítios onde consigas ter uma rotina, não só “boa vida”. Restaurantes perto, supermercado ao lado, enfim, um lugar que tenha quase tudo para teres uma boa rotina!

4. Cadeira: o airbnb ou apartamento, hotel (seja o que for) tem que ter uma boa cadeira para trabalhares! Não dês cabo das costas!

Sites e Apps úteis para todo este planeamento:

  • Nomad List — a bíblia não-oficial dos nómadas digitais. Compara cidades por custo de vida, velocidade de Internet, segurança, clima e até “vibe” social. Ótimo ponto de partida antes de decidires qualquer destino.
  • Coworker.com — motor de busca só para espaços de coworking no mundo inteiro, com preços de dia/semana/mês. Poupa-te a andar a procurar “coworking + nome da cidade” no Google um por um (isto claro, se quiseres trabalhar fora do apartamento/hotel).
  • Outsite — rede de coliving/coworking pensada especificamente para trabalho remoto (têm espaços em Lisboa e no Porto, já agora), se quiseres já ter comunidade e mesa de trabalho garantida sem teres de organizar nada tu.
  • World Time Buddy — para resolver a questão do fuso horário antes de reservares qualquer coisa, já mencionado acima, mas repito porque é o passo que as pessoas mais saltam e mais se arrependem de ter saltado.
  • Fast.com / Speedtest.net — para testares (ou pedires ao anfitrião para testar) a velocidade real da internet do sítio onde vais ficar.

Como Pedir Isto à chefia?

Já tenho um artigo completo com template de email para pedir teletrabalho, e a lógica para pedir um workation é parecida, mas com um detalhe extra: tens de deixar claro, por escrito, que a tua disponibilidade e entregas não vão mudar. Não perguntes “posso trabalhar de fora?”: informa “vou trabalhar de x lugar nas próximas X semanas, mantenho o horário habitual, aqui está o meu plano para reuniões e prazos.” Pedidos que soam a plano soam sempre menos assustadores do que pedidos que soam a “vou desaparecer e depois vemos.”

Um detalhe que ninguém menciona: se a tua empresa tem políticas de trabalho internacional (fiscais, de seguro, de compliance), é mais seguro perguntares ao RH antes de reservares voos, não depois. Algumas empresas têm limites de dias por país por razões fiscais e é bom saberes isso antes de te apaixonares por um destino específico.

Nota: há empresas que “é mesmo na boa”, outras não…. isto já depende de cada uma…

O Que Levar (Sem Exagerares na Bagagem)

Um kit mínimo de workation (tudo o resto já depende de ti, mas vamos ver o essencial):

  • Um teclado portátil e rato ergonómico
  • Um powerbank grande (porque as tomadas em Airbnbs estão sempre no sítio mais inconveniente possível)
  • Auriculares com cancelamento de ruído (para as reuniões, para os vizinhos, para a vida)
  • Um adaptador universal de tomadas, mesmo que penses que “o destino usa a mesma tomada que Portugal”
  • uma bolsa “organizadora de cabos”
  • tudo o resto podes ver nos meus guias de objetos, vais curtir!

Os Erros Mais Comuns (E Como Não os Cometer)

Misturar tudo ao mesmo tempo. Tentar visitar, trabalhar e socializar nas mesmas horas é a receita perfeita para não fazeres nada bem. Define blocos: manhã é trabalho a sério, fim de tarde é exploração, noite é para descansar (quando trabalhas no dia seguinte). ORGANIZAÇÃO SEMPRE!

Não avisar a equipa com antecedência suficiente. Isto gera desconfiança, e desconfiança é o oposto do que queres quando estás a tentar provar que trabalho remoto com viagem funciona.

Achar que vais “compensar” trabalho perdido à noite. Não vais. Vais ficar cansado e vais odiar o destino. Já escrevi sobre isto no artigo do burnout, a fronteira entre trabalho e vida pessoal no remoto já é frágil, um workation mal gerido torna-a inexistente É preciso ter “a cabeça no lugar” para que um workation funcione bem.

Não verificar a política fiscal/de compliance da empresa. Ver ponto anterior sobre falar com o RH. Poupa-te dores de cabeça bem maiores do que um wifi lento.

Perguntas Frequentes

Preciso de avisar o meu chefe com quanto tempo de antecedência?
Depende da cultura da empresa, mas 2-3 semanas costuma ser um prazo seguro que dá tempo para ajustes sem parecer decisão de última hora.

Um workation conta como férias?
Não são férias.

Posso fazer workation fora da União Europeia sem problemas?
Depende do país e da duração. Para estadias curtas (x semanas), a maioria dos países não exige nada especial para portugueses.

Conclusão

Um workation bem feito não é sobre trabalhar menos. É sobre trabalhar igual, mas com uma vista e climas diferentes. Testa o wifi antes, avisa a equipa com antecedência, escolhe o destino com a cabeça e não só com o coração.

Nota final: uma cena fixe que podes fazer é: imagina que vais para Recife no Brasil, fazes 5 dias de férias e depois disso como já vais ficar habituado ao clima, comida, horário, onde ir etc etc, depois então já podes trabalhar remoto uns dias para que assim o “choque” não seja tão grande! “Prontos”, é tudo, um abraço!