Burnout vs Síndrome do Impostor no Trabalho Remoto: Como Distinguir e Lidar Com Cada Um?

Há dois problemas muito comuns em quem trabalha remoto, e que se confundem com facilidade porque, por vezes, até aparecem ao mesmo tempo: o burnout (exaustão) e a síndrome do impostor (a sensação de que não mereces estar onde estás).

Vamos distinguir bem os dois, para saberes exatamente com o que estás a lidar.

A Diferença Essencial, Numa Frase

  • Burnout é sobre excesso — fizeste demasiado, durante demasiado tempo, sem recuperares
  • Síndrome do impostor é sobre insegurança — achas que não mereces estar onde estás, mesmo quando os resultados dizem o contrário

Podes ter um sem o outro. Mas também é extremamente comum teres os dois ao mesmo tempo: a insegurança da síndrome do impostor leva-te a trabalhar mais e a provares constantemente o teu valor, o que por sua vez alimenta o burnout… é tipo um rato que não sai da roda…

Síndrome do Impostor — Os Sinais

  • Atribuis os teus sucessos à sorte, ao timing, ou a “calhou bem” e nunca à tua competência
  • Medo constante de seres “descoberto” como uma “fraude”, nãooooo, se és bom , és bom!
  • Dificuldade genuína em aceitar elogios: mudas de assunto ou minimizas
  • Comparas-te constantemente com colegas
  • Revês trabalho várias vezes mesmo depois de já teres recebido feedback positivo

Vale a pena saberes: segundo o International Journal of Behavioral Science, cerca de 70% das pessoas já sentiu síndrome do impostor pelo menos uma vez na vida e esta síndrome não é um diagnóstico psiquiátrico formal, é antes um padrão de pensamento muito comum, não uma doença que tenhas ou não tenhas….

Burnout — Os Sinais

  • Exaustão física e emocional persistente, mesmo depois de dormires ou descansares
  • Cinismo ou distanciamento em relação ao trabalho que antes gostavas
  • Sensação de ineficácia, mesmo fazendo as mesmas tarefas de sempre
  • Dificuldade em desligar, mesmo fora do horário de trabalho

Porque o Trabalho Remoto Torna Tudo Isto Mais Difícil de Apanhar

No regime de trabalho remoto estás sozinho com os teus pensamentos muito mais tempo, o que dá à síndrome do impostor espaço de sobra para crescer sem ninguém a contrariá-la… E também porque trabalhar remoto significa estares “sempre por perto” do teu portátil, a linha entre “mostrar que mereces estar aqui” e “trabalhar até à exaustão” fica perigosamente fina…

Como Lidar Com Cada Um

Síndrome do Impostor

  • Regista as tuas conquistas — literalmente, por escrito. Quando a tua cabeça disser “foi sorte”, tens prova escrita do contrário
  • Pede feedback externo específico — pergunta à chefia ou a colegas o que fazes realmente bem
  • Fala sobre isto com alguém de confiança — colegas, mentores, amigos. Vais perceber rapidamente que não estás sozinho nisto, muita gente sofre de síndrome de impostor
  • Questiona o pensamento, não te questiones a ti — “isto é verdade, ou é só o que estou a sentir agora?”

Burnout

  • Cria rituais de transição — já falei disto no artigo de produtividade, mas repito porque funciona mesmo: algo que marque claramente “o trabalho acabou por hoje”, chega a x hora e não trabalho mais nadaaaaaa
  • Protege o teu tempo de descanso a sério — não “deixo o portátil aberto só por precaução”
  • Revê a tua carga de trabalho com o teu gestor, se for possível — muitas vezes o burnout não se resolve sozinho, resolve-se ajustando o que está a causar a sobrecarga…

Quando Vale a Pena Procurar Ajuda Profissional?

Sentir insegurança ou cansaço de vez em quando é normal e humano. Mas se isto se tornar persistente e começar a afetar genuinamente a tua qualidade de vida, o sono, ou a tua vontade de continuar a trabalhar, aí já vale a pena falares com um profissional. Não é fraqueza nenhuma, é o mesmo princípio de ires ao médico quando uma dor não passa sozinha.

Links Úteis

RecursoPara quê
Ordem dos Psicólogos PortuguesesDiretório para encontrares um psicólogo licenciado em Portugal
SNS 24 — 808 24 24 24Linha de saúde do SNS, para orientação inicial sobre onde procurar apoio
HeadspaceApp de mindfulness e meditação guiada, útil para gerir ansiedade do dia a dia

Nota: este artigo é meramente informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento por um profissional de saúde mental. Se sentires que isto te está a afetar de forma persistente, procura apoio especializado.

Um abraço!