Tens um emprego remoto numa empresa estrangeira (é o meu caso e já lá vão 5 anos). Ou estás a tentar conseguir um. Ou és uma empresa (por exemplo holandesa ou alemã) e queres contratar alguém em Portugal sem te perderes na burocracia fiscal.
Em qualquer um destes casos, há uma pergunta que toda a gente evita fazer porque parece complicada demais: como funciona isto fiscalmente?
A resposta não é simples… mas também não é o bicho-de-sete-cabeças que parece. Este guia explica tudo, do início ao fim, em português sem juridiquês desnecessário. Ah e é claro… se quiseres saber mais a fundo disto , tens que falar com alguém da área de contabilidade, mas “prontos” com isto que vou escrever por aqui já ficas com uma melhor noção!
🎬 Antes de Começares — Vê Isto Primeiro
Se preferes receber esta informação em formato vídeo, fiz um vídeo completo sobre este tema que complementa tudo o que vais ler aqui:
Ora “bamos lá”:
Imagina que moras em Portugal e queres trabalhar para uma empresa sediada nos EUA, no Reino Unido ou na Áustria. A empresa quer-te contratar. Tu queres trabalhar para eles. Parece simples.
Mas então aparece a questão: como é que esta empresa, que não tem nenhuma entidade legal em Portugal, te paga de forma legal?
Há três formas principais de resolver isto — e cada uma tem implicações fiscais muito diferentes para ti.
As 3 Formas Como as Empresas Contratam Remotamente
1. Contrato de Trabalho Directo (Com Entidade Local)
A forma mais simples: a empresa tem uma filial ou entidade registada em Portugal, faz-te um contrato de trabalho normal, desconta IRS e Segurança Social na fonte como qualquer empregador português.
Quando acontece: Empresas grandes com presença em Portugal (Google, Amazon, Salesforce, etc.)
Para ti: É exatamente como um emprego normal. Recibo de vencimento, descontos na fonte, subsídios de férias e de Natal, direitos laborais portugueses.
Desvantagem: Nem todas as empresas têm entidade em Portugal, e abrir uma custa dinheiro e burocracia que a maioria das empresas não quer.
2. Contrato como Freelancer / Recibos Verdes
A empresa contrata-te como prestador de serviços independente. Passas recibos verdes, és responsável pelos teus próprios impostos e Segurança Social.
Quando acontece: Muito comum em startups, agências e empresas que não querem ou não podem ter funcionários em Portugal…
Para ti: Mais liberdade, mas mais responsabilidade fiscal. Tens de gerir o teu IRS, pagar Segurança Social, e perceber se te enquadras no regime simplificado ou na contabilidade organizada: lá está.. são coisas que deves informar-te com alguém da área
Ferramentas úteis:
QuantoFica (quantofica.pt) — uma das ferramentas mais úteis que existe para trabalhadores independentes em Portugal. Simula o teu salário líquido com base no bruto, no regime fiscal em que estás, e nas deduções possíveis. Antes de assinares qualquer contrato como freelancer, entra aqui, mete os números e percebe exatamente o que recebes no final do mês. É gratuita, simples e resolve em 2 minutos uma dúvida que te podia custar horas ao contabilista. Já agora, parabéns a quem criou este site!
Atenção importante: Recibos verdes para uma única empresa durante muito tempo pode configurar uma relação de trabalho dependente — o chamado “trabalhador economicamente dependente”. A legislação portuguesa protege-te neste caso, mas é algo que deves discutir com um contabilista se for a tua situação.
3. Employer of Record (EOR) — A Solução Moderna
Esta é a forma que mais está a crescer e a que menos pessoas conhecem. E é ESPETACULAR!
Um Employer of Record (EOR) é uma empresa terceira que actua como o teu empregador legal em Portugal, enquanto trabalhas efetivamente para outra empresa no estrangeiro. Ou seja:
- A empresa estrangeira quer-te contratar mas não tem entidade em Portugal
- Contrata um EOR (como a Deel ou a OysterHR)
- O EOR torna-se o teu empregador legal em Portugal
- Trata de todos os aspetos fiscais, laborais e de Segurança Social
- Tu recebes o teu salário limpo, com todos os direitos de um trabalhador português
É a solução que permite a uma startup de São Francisco ou uma empresa da Áustria contratar uma pessoa em Lamego em 48 horas, sem advogados, sem abrir empresa, sem burocracia. Tens toda a informação simplificada AQUI
Já agora, se quiseres dar uma vista de olhos na DEE (na ótica de empregador), clica aqui!
As Plataformas EOR Mais Usadas! O Que São e o Que Fazem
Deel — deel.com/hiring/employees/Portugal
A Deel é uma das maiores plataformas EOR do mundo e tem uma presença muito forte em Portugal. Permite que empresas internacionais contratem funcionários portugueses de forma completamente legal e conforme a legislação laboral portuguesa.
O que a Deel trata por ti (ou pela empresa que te contrata):
- Contrato de trabalho em português, conforme o Código do Trabalho
- Processamento de salário com descontos correctos de IRS e Segurança Social
- Subsídios de férias e de Natal calculados e pagos automaticamente
- Gestão de licenças e baixas médicas
- Conformidade com as alterações legislativas portuguesas
- Plataforma digital para gestão de documentos, recibos de vencimento e comunicações
Para o trabalhador: É um emprego normal com todos os direitos. A única diferença é que o teu empregador legal é a Deel Portugal, não a empresa americana/britânica/alemã com quem trabalhas no dia-a-dia.
Para a empresa: Contrata em Portugal em 48-72 horas, sem abrir entidade, sem advogados locais, com custo fixo e previsível.
OysterHR — oysterhr.com
A OysterHR é uma alternativa à Deel com uma proposta de valor ligeiramente diferente: além de ser uma plataforma EOR, é certificada como B Corp — o que significa que tem compromissos formais com práticas laborais justas, transparência e impacto social positivo. Para quem valoriza trabalhar com empresas eticamente responsáveis, isso importa.
A OysterHR permite contratar, pagar e gerir equipas globais em mais de 180 países, simplificando o payroll, garantindo conformidade e simplificando os RH numa única plataforma.
O que diferencia a OysterHR:
- Onboarding em menos de 48 horas em 180+ países
- Calculadora de custos de emprego disponível gratuitamente (oysterhr.com/cost-calculator) — útil para perceber exactamente quanto custa contratar alguém em Portugal antes de avançar
- Guias de contratação global por país com informação fiscal e laboral actualizada
- Suporte humano dedicado — não apenas chatbots
- Preços transparentes: €699/mês por trabalhador a tempo inteiro, €29/mês por contratante
Ferramenta gratuita muito útil: A calculadora de custos de emprego da OysterHR permite a qualquer empresa perceber exactamente quanto custa contratar um funcionário em Portugal, incluindo salário bruto, contribuições para a Segurança Social do empregador, subsídios e outros custos obrigatórios. Útil também para o trabalhador negociar o seu pacote salarial com contexto real.
O Que Isto Significa Fiscalmente Para Ti? Enquanto Trabalhador Português
Aqui está o que realmente importa saber dependendo de como és contratado:
Se és contratado via EOR (Deel, OysterHR ou similar):
✅ Tens contrato de trabalho português
✅ Descontos de IRS e Segurança Social feitos na fonte
✅ Todos os direitos laborais portugueses (férias, subsídios, baixa médica, despedimento)
✅ Não precisas de contabilista próprio
✅ Declaração de IRS anual é simples, tudo vem no modelo 3 automaticamente
Se és contratado como freelancer (recibos verdes):
⚠️ Responsável pelos teus próprios descontos de IRS
⚠️ Segurança Social a pagar mensalmente (20% da matéria contributiva)
⚠️ Declaração de IRS mais complexa (Categoria B)
⚠️ Podes beneficiar do regime simplificado se o rendimento anual for inferior a €200.000
✅ Mais liberdade para deduzir despesas profissionais
✅ Possibilidade de optimização fiscal com contabilista
Usa o QuantoFica para simular os dois cenários antes de decidir: a diferença no líquido pode ser substancial dependendo do volume de rendimento.
Nota importante: Este guia é informativo e não substitui aconselhamento fiscal profissional. Para decisões fiscais concretas, consulta sempre um contabilista ou fiscalista certificado. “OUBISTE BEM”? Pronto 🙂
Usa o QuantoFica (quantofica.pt) para simulares o teu caso específico, mas aqui vai uma ideia geral das tabelas de IRS para 2025/2026:
| Rendimento Anual Bruto | Taxa Marginal IRS |
| Até €7.703 | 13% |
| €7.703 — €11.623 | 18% |
| €11.623 — €16.472 | 23% |
| €16.472 — €21.321 | 26% |
| €21.321 — €27.146 | 32,75% |
| €27.146 — €39.791 | 37% |
| €39.791 — €51.997 | 43,5% |
| €51.997 — €81.199 | 45% |
| Acima de €81.199 | 48% |
A Segurança Social desconta 11% do bruto para o trabalhador dependente. O empregador paga adicionalmente 23,75%.
Perguntas Frequentes
Posso trabalhar remotamente para uma empresa estrangeira sem abrir actividade em Portugal? Sim, mas apenas se fores contratado como trabalhador dependente (via EOR (DEEL) ou entidade local da empresa). Se receberes pagamentos regulares sem contrato de trabalho, tecnicamente deves abrir atividade como trabalhador independente.
A empresa pode pagar-me directamente para a conta sem descontos? Legalmente, não… pelo menos não de forma sustentada. Pagamentos regulares de empresas estrangeiras para a tua conta pessoal sem declaração fiscal configuram rendimento não declarado, com as consequências legais que isso implica!
O que é melhor: recibos verdes ou EOR (deel) ? Depende do volume de rendimento, da duração do contrato e das tuas preferências. Para rendimentos mais baixos (<€2.000/mês), recibos verdes são frequentemente mais vantajosos pelo controlo das deduções. Para rendimentos mais altos e estabilidade, um contrato via EOR dá mais segurança e simplicidade fiscal.
Posso negociar o meu salário bruto tendo em conta os custos do EOR? “Claro meu menino” e deves fazê-lo. Um EOR como a OysterHR ou a Deel tem um custo para a empresa (tipicamente €500-700/mês por trabalhador). Se souberes isso, podes ter uma negociação mais informada sobre o teu pacote total.
Tenho de ficar em Portugal pelo menos 183 dias por ano para ser considerado residente fiscal? Sim… e esta é uma das perguntas mais importantes para quem trabalha remotamente e viaja muito. A regra geral do Código do IRS estabelece que és considerado residente fiscal em Portugal se permaneceres no país 183 dias ou mais (seguidos ou interpolados) em qualquer período de 12 meses com início ou fim no ano em questão. Ou seja, podes ir trabalhar 2 ou 3 meses para o Brasil ou para a Polónia que está tudo ok.
Na prática, o que isto significa para alguém que não “pára queto”
- Se passas mais de 183 dias em Portugal → és residente fiscal português, declaras os teus rendimentos mundiais em Portugal e pagas IRS aqui. O resto do ano , onde andas e para onde vais, é problema teu… e estás na lei 🙂
🎬 Vê o Vídeo Completo e Subscreve o canal, não é o canal panda mas é porreiro
👉 Ver no YouTube — Como as Empresas Contratam Remotamente
Tens dúvidas sobre a tua situação específica ou experiência a trabalhar remotamente para empresa estrangeira? Então não fales comigo, fala com a contabilista, mas após este guia espero que já tenhas ficado com algumas noções!
Ah e se adorarias trabalhar remoto eu criei um curso em vídeo super completo para te ajudar, vê aqui! Porque “c***” se podes ganhar bem a trabalhar para fora e sem necessidade de emigrar, porque raio é que te haverias de contentar com um salário de 1000 na tua conta? Isso qualquer dia não dá para nada… e é CLARO que a trabalhar para fora, ganhas mais…. Vá , quem vai para fora agora sou eu, mas é para a varanda apanhar sol. XAU!
